segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Uni duni tê... o quê?

Faltam 5 dias para as eleições. Neste ano algo de muito peculiar está no ar. É a primeira vez que, às vésperas do pleito, ainda me pergunto o que fazer... Sempre tive muita convicção do que acreditava ser o melhor e não tardava a decidir meu voto. Voto útil? Nunca acreditei nisso. Todos os votos são úteis, não fosse assim, ainda viveríamos no tempo em que apenas os homens abastados podiam votar. Tantas lutas por democracia não podem ter sido em vão.
Moro em uma cidade com mais de 400 mil habitantes desde quando sua população era menor que um terço disso. Do pouco que me lembro de 1976, algumas coisas fincaram raízes na minha memória.

Houve eleições municipais naquele ano. Dois candidatos disputavam a Prefeitura e não eram raras as piadinhas e jingles provocadores recitados pelas ruas por partidários de ambos.
Achei muito interessante aquele negócio de tomar partido, defender uma idéia e acreditar que um deles pudesse representar os anseios da população. Mas, como escolher apenas um? De onde vinha a certeza de que um seria melhor do que o outro?
Daqueles dois senhores, diziam as pessoas simples da vila onde eu morava que o primeiro "era do lado do povo", urbanizava praças, abria as escolas à noite para receber os adultos do MOBRAL e passeava pelas feiras livres apertando as mãos calejadas dos moradores como se todos fossem de sua própria família. Essas referências sem dúvida o colocariam no topo das minhas intenções de voto se naquele tempo já votasse. Quanto ao segundo, o povo parecia não saber muito, diziam apenas que era um rico comerciante de origem estrangeira e que por isso certamente "era do lado dos patrões", o que por si era o bastante para desinteressar-me completamente pois eu era criança mas já sabia recitar a cantilena "lé com lé, cré com cré..." desde muito cedo.

Daí por diante o tempo se encarregou de ruir as máscaras e desvendar o estranho e fascinante universo das relações sociais. O que é bom ou ruim, justo ou injusto, certo ou errado, depende do ponto de vista, do lado em que se está, das intenções de quem vê e de quem se mostra.
Aquele olhar superficial, apoiado apenas no senso comum não basta. Não se recita uma parlenda antes de apertar a tecla confirma... até porque o que vem depois disso não é uma bandeja de refresco com bolinhos de chuva da vovó.

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