Não acredito realmente que alguém lerá minhas postagens aqui, muito menos tenho a pretensão de mudar os rumos da disputa eleitoral com elas; até porque desde que começou todo esse parlatório, essa troca de monólogos narcisistas que desfiam rosários em promessas e sermões, a única certeza que tenho é a de que nunca foi tão difícil votar.
Deixo aqui registradas as minhas impressões porque talvez sirvam de mote para outras reflexões, quem sabe daqui a quatro anos...
Há algumas coisas que me impressionam nessa campanha eleitoral: uma certa uniformidade nas "propostas". Talvez porque nas últimas eleições tenham sido apresentadas tantas insanidades, tantas idéias absurdas (alguns candidatos pecaram pelo excesso de criatividade), desta vez a estratégia foi outra, menos criatividade, mais objetividade, uma boa dose de verniz...
...e muita proposta clonada!
No vestibular das eleições 2008, a cola está liberada. Afinal, não é vergonha nenhuma aproveitar idéias que funcionam! E se funciona no Tibet, porque não funcionaria aqui na terrinha? Se deu certo no Alaska, dará certo aqui também e, porque deixar de experimentar programas criados por mentes brilhantes em Marte, Vênus, Netuno ou Plutão?
O grande Cazuza já dizia "(...) somos cobaias...".
Muito do que é oferecido nos horários de propaganda eleitoral gratuita como a mais óbvia e genial solução para os problemas da cidade não passa de uma clara demonstração de que aqueles que dizem "eu sei o que é preciso...e sei como fazer..." não sabem nada sobre da vida real.
Seria bom que alguém os alertasse: a prefeitura não é um Carrefour, essa cidade não é um grande pasto e tem população, não rebanho, o FIT só acontece em julho e seria bom não esquecer também de que existe vida inteligente nas rodas proletárias da periferia.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Uni duni tê... o quê?
Faltam 5 dias para as eleições. Neste ano algo de muito peculiar está no ar. É a primeira vez que, às vésperas do pleito, ainda me pergunto o que fazer... Sempre tive muita convicção do que acreditava ser o melhor e não tardava a decidir meu voto. Voto útil? Nunca acreditei nisso. Todos os votos são úteis, não fosse assim, ainda viveríamos no tempo em que apenas os homens abastados podiam votar. Tantas lutas por democracia não podem ter sido em vão.
Moro em uma cidade com mais de 400 mil habitantes desde quando sua população era menor que um terço disso. Do pouco que me lembro de 1976, algumas coisas fincaram raízes na minha memória.
Houve eleições municipais naquele ano. Dois candidatos disputavam a Prefeitura e não eram raras as piadinhas e jingles provocadores recitados pelas ruas por partidários de ambos.
Achei muito interessante aquele negócio de tomar partido, defender uma idéia e acreditar que um deles pudesse representar os anseios da população. Mas, como escolher apenas um? De onde vinha a certeza de que um seria melhor do que o outro?
Daqueles dois senhores, diziam as pessoas simples da vila onde eu morava que o primeiro "era do lado do povo", urbanizava praças, abria as escolas à noite para receber os adultos do MOBRAL e passeava pelas feiras livres apertando as mãos calejadas dos moradores como se todos fossem de sua própria família. Essas referências sem dúvida o colocariam no topo das minhas intenções de voto se naquele tempo já votasse. Quanto ao segundo, o povo parecia não saber muito, diziam apenas que era um rico comerciante de origem estrangeira e que por isso certamente "era do lado dos patrões", o que por si era o bastante para desinteressar-me completamente pois eu era criança mas já sabia recitar a cantilena "lé com lé, cré com cré..." desde muito cedo.
Daí por diante o tempo se encarregou de ruir as máscaras e desvendar o estranho e fascinante universo das relações sociais. O que é bom ou ruim, justo ou injusto, certo ou errado, depende do ponto de vista, do lado em que se está, das intenções de quem vê e de quem se mostra.
Aquele olhar superficial, apoiado apenas no senso comum não basta. Não se recita uma parlenda antes de apertar a tecla confirma... até porque o que vem depois disso não é uma bandeja de refresco com bolinhos de chuva da vovó.
Moro em uma cidade com mais de 400 mil habitantes desde quando sua população era menor que um terço disso. Do pouco que me lembro de 1976, algumas coisas fincaram raízes na minha memória.
Houve eleições municipais naquele ano. Dois candidatos disputavam a Prefeitura e não eram raras as piadinhas e jingles provocadores recitados pelas ruas por partidários de ambos.
Achei muito interessante aquele negócio de tomar partido, defender uma idéia e acreditar que um deles pudesse representar os anseios da população. Mas, como escolher apenas um? De onde vinha a certeza de que um seria melhor do que o outro?
Daqueles dois senhores, diziam as pessoas simples da vila onde eu morava que o primeiro "era do lado do povo", urbanizava praças, abria as escolas à noite para receber os adultos do MOBRAL e passeava pelas feiras livres apertando as mãos calejadas dos moradores como se todos fossem de sua própria família. Essas referências sem dúvida o colocariam no topo das minhas intenções de voto se naquele tempo já votasse. Quanto ao segundo, o povo parecia não saber muito, diziam apenas que era um rico comerciante de origem estrangeira e que por isso certamente "era do lado dos patrões", o que por si era o bastante para desinteressar-me completamente pois eu era criança mas já sabia recitar a cantilena "lé com lé, cré com cré..." desde muito cedo.
Daí por diante o tempo se encarregou de ruir as máscaras e desvendar o estranho e fascinante universo das relações sociais. O que é bom ou ruim, justo ou injusto, certo ou errado, depende do ponto de vista, do lado em que se está, das intenções de quem vê e de quem se mostra.
Aquele olhar superficial, apoiado apenas no senso comum não basta. Não se recita uma parlenda antes de apertar a tecla confirma... até porque o que vem depois disso não é uma bandeja de refresco com bolinhos de chuva da vovó.
Sonho, fé e esperança: crer é preciso!
Nessas eleições meu título de eleitor completa 22 anos. É mais da metade da minha vida.
O primeiro voto, a gente não esquece... ou não deveria esquecer. Senti o maior orgulho em subir as escadas do prédio onde anos antes concluí o ginásio (era assim que chamávamos o ensino fundamental) para votar pela primeira vez em 1986.
Aquele 15 de novembro teve para mim um gosto especial, significava ter direito a voz em meio a uma multidão, ter participação direta nas decisões coletivas... e amanheceu impregnado da sensação de poder mudar o mundo, ânsia da juventude revestida de sonhos.
Confesso que minhas mãos tremeram e um nó brotou na garganta quando, pela primeira vez, deixei minha opinião gravada na cédula de papel que mal consegui colocar na urna.
Demagogia? Não. Fé. Sob olhares incrédulos, sempre pequei por acreditar demais mas, na verdade, crer é meu jeito de ser.
Aprendi com minha mãe que sonhar, acreditar e esperar são grandes coisas a fazer por toda a vida pois quem não sonha, não crê e não tem esperança, não vive.
A descrença ilude e resigna. A fé dá força para lutar.
O primeiro voto, a gente não esquece... ou não deveria esquecer. Senti o maior orgulho em subir as escadas do prédio onde anos antes concluí o ginásio (era assim que chamávamos o ensino fundamental) para votar pela primeira vez em 1986.
Aquele 15 de novembro teve para mim um gosto especial, significava ter direito a voz em meio a uma multidão, ter participação direta nas decisões coletivas... e amanheceu impregnado da sensação de poder mudar o mundo, ânsia da juventude revestida de sonhos.
Confesso que minhas mãos tremeram e um nó brotou na garganta quando, pela primeira vez, deixei minha opinião gravada na cédula de papel que mal consegui colocar na urna.
Demagogia? Não. Fé. Sob olhares incrédulos, sempre pequei por acreditar demais mas, na verdade, crer é meu jeito de ser.
Aprendi com minha mãe que sonhar, acreditar e esperar são grandes coisas a fazer por toda a vida pois quem não sonha, não crê e não tem esperança, não vive.
A descrença ilude e resigna. A fé dá força para lutar.
domingo, 28 de setembro de 2008
Esclarecimento
Esse blog não tem qualquer vínculo político-partidário nem tampouco emprega, no momento particular de seu nascimento, a intenção de difamar, denegrir, caluniar ou mesmo chacotear qualquer candidato ou grupo político.
Seu objetivo resume-se única e exclusivamente ao movimento catártico que expele todas as angústias geradas pelo extenuante processo eleitoral através de uma análise crítica, mas bem-humorada de algumas situações cotidianas vivenciadas por uma eleitora comum.
*Trocando em miúdos: Alívio de pobre é poder desabafar e rir da própria desgraça.
Àquele que por ventura sentir-se ofendido, desde já está concedido o direito de resposta, basta deixar um comentário. Aqui somente spams e conteúdo de baixo calão serão moderados.
Seu objetivo resume-se única e exclusivamente ao movimento catártico que expele todas as angústias geradas pelo extenuante processo eleitoral através de uma análise crítica, mas bem-humorada de algumas situações cotidianas vivenciadas por uma eleitora comum.
*Trocando em miúdos: Alívio de pobre é poder desabafar e rir da própria desgraça.
Àquele que por ventura sentir-se ofendido, desde já está concedido o direito de resposta, basta deixar um comentário. Aqui somente spams e conteúdo de baixo calão serão moderados.
Esclarecimento
Esse blog não tem qualquer vínculo político-partidário nem tampouco emprega, no momento particular de seu nascimento, a intenção de difamar, denegrir, caluniar ou mesmo chacotear qualquer candidato ou grupo político.
Seu objetivo resume-se única e exclusivamente ao movimento catártico que expele todas as angústias geradas pelo extenuante processo eleitoral através de uma análise crítica, mas bem-humorada de algumas situações cotidianas vivenciadas por uma eleitora comum.
*Trocando em miúdos: Alívio de pobre é poder desabafar e rir da própria desgraça.
Àquele que por ventura sentir-se ofendido, desde já está concedido o direito de resposta, basta deixar um comentário. Aqui somente spams e conteúdo de baixo calão serão moderados.
Seu objetivo resume-se única e exclusivamente ao movimento catártico que expele todas as angústias geradas pelo extenuante processo eleitoral através de uma análise crítica, mas bem-humorada de algumas situações cotidianas vivenciadas por uma eleitora comum.
*Trocando em miúdos: Alívio de pobre é poder desabafar e rir da própria desgraça.
Àquele que por ventura sentir-se ofendido, desde já está concedido o direito de resposta, basta deixar um comentário. Aqui somente spams e conteúdo de baixo calão serão moderados.
Assinar:
Postagens (Atom)