Minha avó era indiscutível na cozinha. Nunca houve quem ousasse questionar aquelas mãozinhas ágeis e ritmadas processando o tempero. Tinha um gosto muito simples, fazia maravilhas apenas com sal, alho e pimenta-do-reino.
Mas nem tudo são quitutes na cozinha da Vó Vina. Às vezes o prato desandava, virava uma outra coisa e precisava de um "jeitinho" pra tomar rumo e chegar ao ponto certo de novo. Ou ainda, uma vontade doida de comer "uma coisa diferente", botava as mãozinhas a inventar uma nova iguaria, qualquer coisa misturada, bolinho, biscoito, mingau, mexidinho com tudo que sobrou do almoço, qualquer "coisinha pra mastigar".
Não importa o acidente gastronômico, o "trem" acabava ficando tão bom que não dava tempo de esfriar. Mas a dona Vina, muito exigente que era, desdenhava dizendo: "Que isso, virou uma langanha!"
É, a vida é uma langanha de coisas, mais sérias, menos sérias, importantes ou nem tanto, imprescindíveis ou supérfluas.
O processo sucessório acabou mas a política, essa dura o ano inteiro e quem não é sujeito, é objeto. Entre uma luta e outra, é hora de cuidar da vida. Da minha vida.
Com licença, vou à luta!
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